11-08-2006

Quis saber quem sou, o que faço aqui

medium_MarAbr2006_336.jpg “Quis saber quem sou
O que faço aqui”
            

José Niza

 

Acho que mais não terei querido, afinal. E assim surgiu este blog. Ele feito necessidade. Quantas e quão diversas razões pessoais na sua origem. Ele feito homenagem aos Amigos. Ele feito espaço de partilha de sentimentos, emoções, interesses, desalentos e esperanças, imagens reais e sonhadas, histórias contadas, recontadas e por contar. Ele feito tempo de busca e (re)encontro de um Eu, que, qual sombra de Peter Pan, parecia pulular pelo espaço e pelo tempo sem se deixar agarrar.

Tê-la-ei conseguido ir agarrando…?... Sinto que sim. Quanto à busca de um Eu melhor, essa não pára nunca, muito menos quando é só uma pequena porta que se fecha sobre apenas mais um blog. Como se diz…? Qualquer coisa como… quando uma porta se fecha, outra abre-se. E não há que lamentá-lo, mas sobretudo manter a esperança, os Olhos no futuro, atentos a essa(s) outra(s) porta(s) que se abre(m).

 

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
                                   

Alexandre O’Neill
 

A todos os Amigos, Obrigada!

Até sempre! Até já!

20-07-2006

O Plátano

 

"Querido amigo!
Que hei-de escrever para tentar animar-te? Talvez que a vida é mesmo um contínuo final e recomeço de mil coisas. Não é fácil. Nunca é fácil recomeçar. De todo. Mas aquilo que me vai animando é ainda conseguir manter a  fé em que vai valendo a pena recomeçar uma e outra e outra vez. Mas acredita que eu própria me questiono muitas vezes sobre o que tenho, sobre aquilo a que me posso agarrar. Tanto do que parecia ser "para sempre", a tantos níveis da vida foi deixando de fazer sentido.
Há pouco, saí pela penúltima vez da minha escola. Durante todo o caminho para casa não consegui impedir o nó na garganta, aquela dificuldade em respirar, aquela dor de cabeça incessante, mesmo tendo como pano de fundo um belo céu de final de tarde, e colocar-me as questões "O que ficou de tantos anos, uma vida aqui?", "A que me posso ainda agarrar?", ... Concluí "só"que as paredes podem ser demolidas, muito material e equipamento pode seguir para o arquivo morto, ser deitado fora ou reciclado, o quadro de pessoal actual vai-se desmembrar, acabará aquele projecto único de escola, as confraternizações entre todo o pessoal realizadas todos os anos, em vários momentos dos mesmos, aquele espírito que fazia da escola um exemplo no que diz respeito ao excelente relacionamento humano, entre profs, alunos, pessoal não docente, encarregados de educação, ... E apenas isto é permanente: as memórias, os conhecimentos e competências adquiridos, que me foram tornando na pessoa que sou hoje, os amigos que fui fazendo na escola e que são os meus melhores amigos, os alunos que lá fui tendo e com quem tanto aprendi. Este é O Tesouro que posso e devo guardar e aquela reserva de força a que poderei recorrer sempre.
As férias, as minhas, pelo menos, começam amanhã mesmo, ao final do dia de trabalho. Um novo começo.
Enquanto vivos...
Um abraço grande e até sempre.
E."

18-06-2006

Smile!


 

Smile, though your heart is aching.
Smile, even though it's breaking.
Though there are clouds in the sky,
You'll get by...

If you smile through your fears and sorrows.
Smile and maybe tomorrow.
You'll see the sun come shining through.

If you just light up your face with gladness,
Hide every trace of sadness.
Although a tear may be ever, ever so near.

That's the time you must keep on trying.
Smile, what's the use of crying?
You'll find life is still worthwhile
If you'll just smile, come on and smile.

If you just smile.


De: Chaplin, Parsons, Phillips

Voz: Eric Clapton

 

E o sorriso redesperta assim, grande e redonnnnnnnnnnnnndo

Zoe

E já não se tem tanto medo, nem nada dói tanto, pois não?

E as nuvens abrem-se para deixar passar o azul e o sol

E a flor já é jardim

E o simples toque abraço

E o little blue faz-se arco-íris

E uma nota aqui outra acolá faz sinfonia

"E assim vamos de braço dado com a vida,

desterrando uma morte solitária,

pois sabemos que ao virar da esquina

há pessoas assim, tão necessárias." (Hamlet Lima Quintana)

 

 

 

 

11-06-2006

Ao nosso Primeiro, amigo Zé, pá! :o)

Esta mandaram-me há uns dias. Uma delícia! :o) E a gente ri e ri e ri, porque afinal rir ainda não paga imposto, e enquanto ri esquece os males do mundo. E se quem canta seus males espanta, pode ser que rindo consigamos pôr certos fantasmas a mexer. :o)
************************
Senhor primeiro-ministro, amigo Zé, pá...

Já deu para ver que, no estado em que as coisas estão, há que sacar dinheiro ao pessoal de qualquer maneira. E como aumentar mais uma vez os impostos dava muito nas vistas,
agora até na praia, o chamado mergulho de chapão com bandeira amarela ou mesmo uma simples entrada em água com bandeira vermelha, dá para colocar uma quantia valente (de 55 a 1000 euros) nos depauperados cofres do Estado.

Caramba, porque é que não disseste mais cedo, Socas? Ora aqui o teu muito patriota amigo não quer que penses em mais estratagemas deste tipo e envia-te uma singela lista de coisas que ainda não pagam multa, mas que, com a tua ajuda e com alguém que te prepare a legislação, é só meter no Diário da República e vais ver que o défice das contas estatais se esfuma num instante. E ainda ajuda a tornar o nosso Portugal num país mais bonito, como bónus.
Ora cá vai disto:

LISTA DE COISAS A TAXAR, com urgência:

- Uso de meia branca com sapatinho escuro: 100 a 500 euros.
- Uso de bigode à futebolista dos anos oitenta: 200 a 2000 euros.
- Coçar os genitais em público: 150 a 1500 euros.
- Tirar cera das orelhas com a unheca do dedo mindinho: 100 a 1000 euros.
- Utilização do colete reflector nas costas do banco do condutor: 120 a 1200 euros.
- Utilização de CD pendurado no espelho retrovisor: 150 a 1500 euros.
- Passear de fato de treino por centros comerciais ao fim de semana: 400 a 4000 euros.
- Raparigas com excesso de peso envergando roupa apertadíssima, ameaçando a restante população com uma rajada de botões: 150 a 1300 euros.
- Uso de óculos de sol em discotecas e restaurantes: 500 a 5000 euros.
- Utilização das expressões tipo "basicamente, prontos, portantos, stander de automóveis, casas germinadas...": 150 a 1500 euros.
- Uso de sandália com peúga: 300 a 3000 euros.
- Fazer pic-nic na faixa central da Circunvalação, por baixo dos pontões da A1, ou nas escapatórias para camiões, no IP5: 1500 a 5000 euros.

- Bandeiras a engalanar os popós.

Pronto, cá está, usa e abusa. Quem é amigo, quem é?
 

18-05-2006

Um céu de nós

Foto: O céu de Ait-Benhaddou

No rodopio da nossa própria vida perdemo-nos, vezes sem fim, como hipnotizados pelo pequeno mundo em que vivemos. É a gente que passa por nós e nós que passamos por ela sem dela nos darmos conta. São as coisas que acontecem e nós dizemos que assim são porque são, como se nada do que acontece pudesse estar, de facto, nas nossas mãos. Mas de quando em vez há aquelas, as pessoas, que passam pela nossa vida de formas diferentes das mais comuns e, talvez por isso, nos marcam mais profundamente. A maior parte delas acaba por entrar e sair das nossas vidas sem deixar grandes marcas, outras acabam por marcar, mas apenas pela negatividade que trouxeram consigo se, atempadamente, não nos apercebermos de como elas podem magoar. Só algumas, muito poucas, acabam por permanecer. São aquelas que se foram cimentando como um projecto, cujas raízes vão ficando, tão naturalmente, bem enterradas em nós, sem esforço, sem dor, sem mágoa, apenas com aquilo de que devem ser feitas as relações verdadeiras e sólidas: o respeito pelo tempo e espaço do outro, pela diferença, o carinho e apoio incondicionais, sem ser necessário pedir ou dar justificações, mas apenas estar ali, aqui, quando, se, onde necessário.

Às vezes há acontecimentos, bons e menos bons, que provocam uma revolução no nosso corpo e mente, que ajudam a provocar aquele click que se tornava necessário, mas nós nem nos apercebíamos desta necessidade, e nos transformam em pessoas mais conscientes de si e do mundo de uma forma bem diversa da que sempre havia sido habitual durante quase todas as nossas vidas. Não é mau. É “apenas” mudança e a mudança, mesmo que doa, pode ser positiva, se assim a tomarmos, e acabarmos por ganhar maior consciência de experiências e conhecimentos/saberes que foram sendo adquiridos ao longo da vida. Assim se cresce...

08:20 Escrito em Life | Permalink | Comentários (4) | Enviar por e-mail | Tags: life

15-05-2006

Fat old sun

Fat old sun – David Gilmour

 

 

When that fat old sun in the sky is falling,
Summer evening birds are calling.
Summer's thunder time of year,
The sound of music in my ears.

Distant bells,
New mown grass smells so sweet.
By the river holding hands,
Roll me up and lay me down.
And if you sit,
Don't make a sound.

Pick your feet up off the ground.
And if you hear as the warm night falls
The silver sound from a time so strange,
Sing to me, sing to me.

When that fat old sun in the sky is falling,
Summer evening birds are calling.
Children's laughter in my ears,
The last sunlight disappears.
And if you sit,
Don't make a sound.

Pick your feet up off the ground.
And if you hear as the warm night falls
The silver sound from a time so strange,
Sing to me, sing to me.

When that fat old sun in the sky is falling,
Summer evening birds are calling.
Children's laughter in my ears,
The last sunlight disappears.

 

Há prendas que, simplesmente, nos deixam sem saber bem o que dizer de tão ricas de significados, belas de sentidos, um todo uno, que nos traz aquela paz tão necessária que nos envolve e devolve a nós próprios e ao mundo. Obrigada A. 

09:50 Escrito em Life | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail | Tags: life

08-05-2006

BANG!!!

Juro! Juro! Juro! Eu bem tento(se não der para fazer, pelo menos tentar, ou mentalizar-me que devo)...

- be positive

- watch a sunset

- sing a song

- listen to music

- dance a jig

- have a cup of tea

- take a break

- Keep a journal

- get up early

- play a drum

- plant a flower

- throw a ball

- eat a snack

- light a candle

- walk in the rain

- take a bubble bath

- ask for what you need

- give a compliment

- give a blessing

- tell a joke

- take a nap

- write a letter

- smile

- stretch

- practise patience

- do Tai-Chi

- give a hug

- see a movie

- set limits to a few things

- set no limits to other things

- practise kindness

- lie in the sun

- talk to a friend

- take a deep breath

- walk a labyrinth

- go barefoot

- say a prayer (to all gods if necessary)

- go to the beach

- pet a dog (or cat or ant, whatever...)

- blow bubbles

- take a walk

- ask for help

- do it NOW!

- hum a tune

- meditate

- prioritize

- play with a child

- say NO

- read a book

- laugh out loud

- run in the park

- avoid negative people

- go to bed on time

- watch a sunrise/sunset

(google lessons4living - adapted)

 

Mas parece que há dias que já são semanas e semanas que já são meses e meses que já são anos de tanto stress acumulado em que, simplesmente, já nada parece resultar, pelo menos a longo prazo. Às vezes uns momentos, com sorte dias, de relaxamento e alívio das coisinhas mais pesadas da vida, ainda criam a ilusão de que, ao recomeçar, já tudo vai estar bem de novo. Mas, depois, volta-se à rotina, para afinal se compreender que... a energia esgotou-se mesmo, e agora já não dura mais as 8, 10, 12, 14 (ou as que fossem) horas, e a força já nem c'a boa da Alfalfa, que ao menos com o velho cavalo cansado parecia resultar, e fuuuu... giu!!! e a memória também PUF!!!, onde será que se meteu, que até disso me esqueci e etc e tal. E a gente já só se resigna a esta nova visão vegetativa da vidinha? Ah! Ainda não é para hoje, não? Fica adiada a sentença? OK! Medida drástica! A ver se ao menos assim a coisa vai indo, porque tem que ser, com mais ou menos galos na tola! :o)

 

 

10:15 Escrito em Life | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail | Tags: life

01-05-2006

May Day

Photo: Flowers of Greenland

 

And on that first day of May the onset of Spring was celebrated.  

The May Queen was transported over the fields bringing fertility to them.

The people danced for days on end washing away all their sorrows, tears and pain.

And the whole world was reborn.

 

P.S. - To my friend Ahmed Rasim. May his world be reborn to freedom, happiness and laughter only.

To all those who keep believing in the power of Spring.

 

09:00 Escrito em Life | Permalink | Comentários (6) | Enviar por e-mail | Tags: life

21-04-2006

Deserto e alma

 

“No Sahara cada homem tem o seu tempo, a paz e a atmosfera necessárias para se encontrar consigo mesmo, olhar para longe ou para dentro de si próprio, estudar a Natureza que o rodeia e meditar…
Um provérbio Tuaregue diz: ‘Deus criou o mar e a água para que o homem pudesse viver e criou o deserto para que o homem pudesse descobrir a sua alma.’ “
                                          
In Manual do Viajante, Agape.

09:45 Escrito em Life | Permalink | Comentários (5) | Enviar por e-mail | Tags: life

20-04-2006

O Momento... de Crescer!

Devagar, como tenho andado a aprender, sobretudo nestes últimos meses, fui voltando. Ou estarei ainda a voltar… Curiosamente, tudo se parece conjugar em torno da palavra “devagar”. Aqui e ali, sem saber bem como, no dia-a-dia vou-me cruzando com ela, dita e escrita por pessoas que nem se conhecem, algumas mal me conhecem. Leio-a e ouço-a como se fosse a primeira vez. Depois, a pouco e pouco, vou aprendendo a fazê-la minha e ela vai-se tornando uma constante. Viver devagar. E cada momento torna-se O Momento. E a intensidade é maior. E O Momento já é único. E a Vida é O Momento. Breve e esquivo ou imenso, eterno, infinito.
 

 

No meio de nada, tudo. Num deserto só meu recriei um outro mundo, talvez o original, sem artifícios. Ele era feito das cores da terra, do vento sobre a areia rolando numa pequena tempestade à nossa volta, das folhas das escassas árvores e dos arbustos movendo-se ao sabor do vento, disfarçados na noite que nascia, dos sons que chegavam dos dromedários descansando em grupo da caminhada da tarde, dos aromas e sabores exóticos da tajine de legumes e frango berbere, dos sons dos tambores e flautas, no final da refeição, do céu azul-escuro adivinhado pela lua cheia que nos brindava sem pudor, do passeio até às dunas que serviram de leito, a quem quis ser parte delas nessa noite. E adormeci com o céu como tecto e a areia do deserto como cama. E os vários acordares nocturnos deram sempre lugar a um sorriso feliz, pelo prazer imenso proporcionado pelo espaço e pelo tempo nunca antes vividos, jamais repetidos, porque eles eram aquele lugar e aquele tempo, irrepetíveis. Acordar sentindo partes do corpo que nem recordava possuir :o). Mas que é isso comparado com aquela claridade imensa do deserto numa manhã feita de alguma neblina, no meio daquele silêncio tão profundo que nos fazia ouvir os nossos próprios pensamentos, emoções, corações… Nessa noite e amanhecer senti-me crescer como nunca.  


00:55 Escrito em Life | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail | Tags: life

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