24-02-2006
Guess how much I love you
Hoje vou contar uma história. Das mais belas que já li. Há quem a categorize “para crianças”. Eu digo que ela é… para todos, para todos se enternecerem, para todos se recordarem de ser sempre um pouco crianças todos os dias, para todos passarem a mensagem a quem amam. É o que tenho feito.
Só possuo o original (mas a obra está traduzida em português), com texto de Sam McBratney e ilustrações de Anita Jeram, com o título Guess how much I love you. O que segue é, apenas, a minha versão da história.
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22-02-2006
Ainda/Sempre Educação

Imagem: Friedensreich Hundertwasser
Ainda a propósito de Escola e Educação, de Cidadania e de Povo, de Projecto e de Vida:
“Se os teus projectos forem para um ano, semeia o grão. Se forem para dez anos, planta uma árvore. Se forem para cem anos, educa o povo.” - Prov. Chinês
“O objectivo da educação é a virtude e o desejo de converter-se num bom cidadão.” – Platão (428-347 a. C.)
“A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida.” - John Dewey (1859-1952)
Porque será tão difícil passar à prática o que parece tão simples, óbvio, natural, constatado por tantos ao longo de séculos de História da Humanidade?
Raros têm sido aqueles (governantes e/ou supostos cidadãos em geral), que têm entendido que:
- Educar é um projecto a longo prazo. A Educação não se decreta, constrói-se/faz-se em cada dia, todos os dias.
- Sem Educação não há jamais Povo. Sem ela, apenas se cria uma entidade amorfa, oca, por nunca ter tido a oportunidade de apre(e)nder o que é, verdadeiramente, Ser Cidadão.
- Sem Educação não há Vida mas apenas Sobrevivência.
- Sem Educação, Formação e Empenho ao longo da vida não haverá nunca uma evolução positiva da sociedade, mas apenas pequenos saltos, sem um fio condutor, sem alicerces sólidos, feitos de materiais e remendos temporários, de ideias soltas, de caminhos tortuosos, por muito bons que possam parecer no momento.
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18-02-2006
Escola Secundária da Bela Vista. O canto do cisne

Graffiti da ESBV
Comunicaram-nos não há muito tempo. Não havia retorno possível, disseram. Foram breves, secos, esquecidos do organismo vivo com que lidavam. Aquele ser de trinta e um anos, criado como estrutura provisória-definitiva, à semelhança de tantos outros seres educativos neste país, cujo primeiro nome fôra o de Escola Polivalente de Setúbal, ia morrer. Uma morte anunciada.
Inaugurei esta escolinha em Janeiro de 1975. Então, era a única escola secundária (se bem que só albergasse, na altura, o actual 3.º ciclo) “para cima da linha” (a da estação de combóios do Quebedo). Não havia Bairro Azul, nem Rosa, nem Amarelo da Bela Vista. Não havia nem Cáritas, nem ACM, nem Centro Jovem Tabor, nem Parque Verde, … Havia a vista soberba sobre o rio e a península de Tróia. Não houve logo estrada, nem vedação à volta da escola. Havia campo aberto ao seu redor. Num monte, não muito longe, avistava-se uma capelinha. Havia quintas, entre elas aquela onde era produzida a então famosa Água da Bela Vista, onde tantas vezes “fui à água”, fizemos piqueniques e brinquei. Não havia ginásio, nem campos de jogos, nem refeitório, nem bar, nem sala de TIC, … Havia a alegria de ser criança-adolescente, o nascimento da consciência política (o 25 de Abril de 1974 tinha sido há tão poucos meses e eu, tão novinha, para quem tudo era descoberta, não parava de querer saber o porquê das coisas), as RGA’s (reuniões gerais de alunos), as RGP’s (reuniões gerais de profs), a novidade de se poder optar por aulas de Vida Política, em vez de Moral e Religião, as aulas de Educação Física feitas de corta-mato, tantas vezes, até às fábricas, que se avistavam ao longe, mas que, quando chovia, nos faziam acotovelar na sala 5 (actual sala das TIC) que, adaptada, servia de ginásio. Havia uma curiosidade imensa de querer saber mais e mais sobre tudo e mais alguma coisa, … Houve o professor Carlos Barbosa, que nunca deixava ninguém desistir e que, um dia, relembro, revi com alegria e espanto na televisão uns anos depois comentando jogos de basquetebol. Foi ele mesmo que, um dia, pôs na ordem o meu “querido colega” Mourinho. Exactamente, o actual famoso treinador do Chelsea. Houve a professora Lídia Jorge, a escritora, sim, que leccionou Francês à minha turma, e fez despertar a minha paixão pela língua francesa. Não esquecerei nunca o tom doce da sua voz, a entoação bonita que imprimia a cada frase, a forma carinhosa e firme ao mesmo tempo como dirigia as aulas. Houve aquele professor de História que fez fortalecer tanto a minha paixão pela disciplina, aquele outro de Geografia que nos levou numa viagem de um ano, sem sairmos do mesmo lugar, à União Soviética. Houve aquela professora de Inglês, que parecia quase tão jovem como nós, que nos fazia ansiar por cada aula. Houve tantos outros, que só passaram por nós e nós por eles, mas que sempre deixaram marcas uns nos outros.
Muitos anos depois, voltei à escola. Vinte e poucos anos de idade e a decisão de ser professora naquela mesma casa que havia inaugurado como aluna. Fui ficando, de alma e coração, criando uns laços tão fortes como os que se criam entre pais e filhos. Esta escola foi sempre muito especial, acho que por estes mesmos laços diferentes, implícitos, naturais, que sempre se criaram entre todos os elementos da comunidade educativa, fazendo nascer entre todos uma cumplicidade única. Só mesmo quem passou por esta escola, como aluno ou professor, compreenderá o alcance do que digo. Quem passou por esta escola nunca passou só, viveu-a, alimentou-lhe a chama da Vida intensamente, tornou-a ESCOLA, na acepção mais profunda do termo. Ainda hoje revejo ex-alunos e colegas mais antigos ou mais recentes e todos falam sempre da escola com um sorriso que vem mesmo do coração, saudoso, feliz, a querer guardar para sempre a boa recordação da escola no seu livro de memórias para valer.
Ao longo dos anos, fomos lutando por uma escola Com Vida, não obstante o “diz que disse”, “a má fama do bairro”, que, como rastilho, alastrou à escola, que nunca mais dela se livrou, as posições menos abonatórias no “ranking” das escolas e tanto mais. Lutámos pela manutenção da dignidade da escola e dos alunos, com todas as armas de que dispúnhamos. Só não lutámos nunca com as armas da hipocrisia, do cinismo, do compadrio, da politiquice. Mas lutámos, sim, lutámos pelos ALUNOS, sempre, porque é só por eles que existimos. Lutámos pela qualidade da sua educação, por uma escola de qualidade e não, nunca, por mais uma escola neste, cada vez mais, deserto educativo a tantos níveis. Muito antes de se ouvir falar da transversalidade da Educação para a Cidadania no currículo, de aulas de Formação Cívica, de Estudo Acompanhado ou de Área de Projecto, fomos percursores de uma escola de e para a Cidadania plena. Ensinámos e aprendemos, como só é possível, escutámos, observámos, tratámos as feridas, as ocasionais, feitas na escola, e as feitas pela vida, apoiámos, acarinhámos, … Lutámos porque acreditámos, acreditamos que é pela Educação de Qualidade que tudo deve começar, porque é ela que tem um papel maior, decisivo, na boa formação de qualquer Povo, logo, no desenvolvimento positivo de qualquer país. Lutámos por crermos que é pela Educação de Qualidade que nos devemos guiar ao longo da vida. Lutámos e, de pior escola no “ranking” do Ministério da Educação há uns anos atrás, passámos a ser apelidados, como afinal sempre acreditámos ser a realidade da nossa escola, de “A melhor escola do País” (título da reportagem da jornalista Sónia Morais Santos, publicada na revista do “Diário de Notícias” de 15 Nov. 2003, que ganhou o Prémio de Reportagem Norberto Lopes).
Mas, no final, foi aquela espécie de cegueira branca que parece ter-se instalado e vencido, que parece ter alastrado como uma praga e incapacitado os decisores (e a quantos de nós também, cansados de sermos livres de lutar?) de fazer mais do que olhar para o vazio, primeiro, depois para os números, simples e friamente, sem nunca conseguirem ver o que, afinal, esteve sempre ali, o organismo vivo, um certo oásis de esperança num “bairro maldito” por tantos, numa cidade outrora tão bela mas esquecida no tempo, do tempo, por causa do tempo. “Abril abriu-nos a porta” e nós soubemos entrar. Mas, agora, onde está Abril? Terá toda a nossa história, de país, de cidade, de escola, de Gente valido a pena? É a dor que faz, agora, correr as lágrimas... Podem ter-nos traído, amordaçado, tolhido os movimentos, podem estar a matar-nos em fogo lento, mas a doce lembrança desta Escola, premiada por um sorriso feliz, permanecerá. É um sorriso por nós mesmos, uma homenagem a todos os que deram Vida a esta Escola. É que, mesmo quando tudo parece perdido, ainda ninguém conseguiu inventar uma forma de nos impedir de sorrir.
Um pedido só, para todos os que quiserem, sobretudo os que, de algum modo, estiveram ou estão ainda ligados à Escola Secundária da Bela Vista:
Deixem aqui um vosso testemunho, uma opinião, o que seja. Quem sabe um dia publiquemos um livro conjunto :o) , uma homenagem à Nossa Escola.
12:40 Escrito em (e)D(uc)AR | Permalink | Comentários (15) | Enviar por e-mail | Tags: PORTUGAL
02-01-2006
É "só" por eles que existimos

Fonte: www.life.com/Life/classicpictures/school
Mais um regresso ao que nunca deixei/deixo/deixamos.
Não importa as resmas de papelada, que passam a vida a inventar para nos fazerem perder tempo, para além das de sempre. Não importa as reuniões obrigatórias e sem serem, infindáveis e por tudo e por nada, que, "espremidas", em pouco ou nada resultam de positivo para os miúdos. Não importa os Decretos-Lei publicados e os Despachos emitidos quando não estávamos na escola. Não importa o cansaço de 5 ou 7 horas/dia de trabalho no local, mais outras tantas de "furos e furinhos", também estas quase sempre aproveitadas para fazer trabalho da/para a escola, com mais umas 2, 3, 4, .../noite passadas em casa a trabalhar de novo para a escola. Não importa quanto pagamos do nosso bolso, todos os anos, para darmos umas aulas “apenas” como os miúdos merecem, porque são “apenas” miúdos e a educação é “apenas” aquilo que deve mesmo fazer mexer o país, qualquer país (pena que poucos a entendam assim…). Não importa.
Importa instalações escolares provisórias há mais de 30 anos. Importa as paredes de quase cartão de algumas salas de aula. Importa o frio que enregela os ossos de todos, durante horas a fio, em salas que estão por vezes quase tão frias como os pátios descobertos e os corredores entre blocos, estes tapados por telheiros que pouco cobrem, que é aquilo que a todos espera durante os intervalos. Importa os pavilhões pré-fabricados tipo galinheiro. Importa o vento gélido e a água da chuva que se entranham nos nossos corpos em cada intervalo. Importa o calor asfixiante das salas de aula (mais quentes que o exterior) em dias de verão, ou até de Primavera ou Outono. Importa as salas de alunos (único local de que eles dispõem para se protegerem quando chove a cântaros ou faz um frio de rachar) onde cabem 30, em escolas que têm 600 e mais. Importa?!?!
Importa os miúdos que, não obstante as notas menos boas, gostam sempre de voltar à escola depois de quaisquer férias. Para muitos ela é quase tudo o que têm: o único sítio onde têm um pequeno-almoço e almoço mais ou menos dignos; o sítio onde fazem e têm mais amigos; o sítio onde ainda são ouvidos, quando precisam ou não; o sítio onde se lhes abrem outros horizontes; … Para outros ela é muito das suas vidas: há sempre os amigos, com tempo e espaço para se encontrarem, há sempre os professores, que eles até estimam, na sua maior parte, e que os estimam também, quantos deles, como se de filhos próprios se tratassem, há as brincadeiras, os jogos, as visitas de estudo, as festinhas da centésima lição e de final de ano lectivo, há os parabéns quando se faz anos, há os projectos de estudo e trabalho e as actividades não lectivas a eles ligadas, há tantos mundos para descobrir, há o futuro que começa ali.
Importa apenas e sempre os miúdos! É só por eles que existimos.
20:50 Escrito em (e)D(uc)AR | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail | Tags: life
27-11-2005
English4mypupils
Poucas mas bem dormidas horas. Um acordar sem o stress da correria para a escola para mais um dia cheio de tudo e com uma disponibilidade mental que não se tem, normalmente, pelo peso das responsabilidades e deveres diários que mal nos deixam respirar. Um levantar bem-disposto, de sorriso aberto, acompanhado de uma música à maneira e com uma vontade súbita de... trabalhar de novo... :o) Mas, desta vez, o trabalho é também lazer e pode mesmo ser uma fonte de prazer e de aprendizagem para mim e para os miúdos, espera a je. Ou seja, juntar o útil ao agradável na sua plena acepção. E pronto, lá criei um blogzito, ainda em formato muito reduzidinho, para ver se os miúdos lá da escola se deixam cativar mais para a língua inglesa. Assim como assim, temos que rentabilizar as potencialidades das new techs. Ora aqui vai ele, mesmo muito incompleto ainda. Todas as dicas são benvindas!
12:20 Escrito em (e)D(uc)AR | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
17-10-2005
Notas sobre Educação/Escola
Estudar para quê? (artigo para o "Jornal Bela reVista" - jornal da ESBV)
A esta questão os mais pessimistas responderão que o fazem porque os seus pais ou outros familiares com quem vivem os obrigam. Outros dirão que o fazem porque o Ministério da Educação estabeleceu que se tem de andar na escola até ao 9.º ano, pelo menos (e qualquer dia, muito próximo, até ao 12.º ano). Outros que o fazem porque é bom aprender, é bom saber cada vez mais e mais, descobrir que há um mundo de coisas por descobrir, ali mesmo, à sua mão. Para outros, ainda, aprender é o melhor meio de atingir o sucesso na vida (profissional e pessoal) futura. Estes dois últimos serão os que acreditam mais no futuro, num futuro melhor? Serão eles que guardarão mais esperanças em relação ao futuro? Porque não seremos todos optimistas em relação a estas coisas? Porque não teremos todos a vontade, a motivação de aprender que nos faz avançar, evoluir, ser melhores? Afinal, quem não quer ser considerado bom em alguma coisa? Quem não quer gostar de si e ser admirado pelos outros? Mas… haverá uma receita para isto?
De facto, não há receitas para isto. No entanto, há pequenas coisas que todos podemos fazer, de forma a conseguirmos manter-nos num caminho mais acertado. Vejamos: primeiro, podemos tentar reconhecer que vale a pena descobrir/aprender; depois, ser responsáveis pelo que aprendemos com confiança em nós próprios, persistência e algum esforço (aprender implica sempre algum esforço); em terceiro lugar, aceitar que mesmo quando se erra também se aprende (sobretudo, se percebermos o que falhou e porquê; mesmo quando se erra há capacidades que podem ser desenvolvidas); por último, festejar quando se acerta, se tem um bom resultado, ou seja, quando se atinge algum objectivo (mesmo que sejam pequenos objectivos, que poderão ir sendo alargados). Mas, aqui, entra-se no campo, do que se quer alcançar, porquê e para quê. Por exemplo, “Quero aprender Português para comunicar bem com os outros, para ser ouvido, para fazer a diferença, …”; “Quero aprender línguas estrangeiras para poder entender e comunicar melhor com os outros, para conseguir compreender o que leio e escuto nessas línguas, para poder, um dia, ir trabalhar no estrangeiro, …”; “Quero aprender Ciências para perceber como somos, porque somos assim, eventualmente, para onde vamos …”; … Depois, claro, há aquilo que os outros querem em relação a mim, que também tem o seu peso: “Tenho que saber algumas datas para passar no teste de História.”; “Tenho que aprender a usar este programa de computador para poder fazer trabalhos usando este meio.”; “Tenho que ter boas notas para agradar aos meus pais.”; … Embora estas razões sejam importantes, talvez o mais importante seja sermos capazes de dizer para connosco que: precisamos de saber datas para entender porque algo aconteceu numa determinada época e não noutra; precisamos de saber usar o computador porque é um meio rápido, útil e prático para fazer uma série de coisas; precisamos de ter boas notas para nos sentirmos bem connosco e com o mundo; …
Uma outra coisa que importa destacar é que nem toda a gente pode ser um génio. Cada um de nós tem as suas capacidades, que deve aprender a desenvolver e será bom em alguma coisa ou poderá aprender a sê-lo (mas há que treinar para isso). Às vezes é preciso aprender a olhar para os problemas de diferentes maneiras, sob diferentes perspectivas, construir, desconstruir e reconstruir ideias sobre as questões que se nos colocam, fazer, desfazer voltar a fazer o que for preciso e quantas vezes for preciso, até estarmos satisfeitos pelo menos connosco próprios.
Queres um desafio? Investiga um pouco sobre algumas personalidades hoje consideradas geniais (Einstein, Leonardo da Vinci, Thomas Edison, Aristóteles, …): quem foram, o que fizeram e como o fizeram? Se aprofundares só um pouquinho a tua pesquisa descobrirás que, afinal, mesmo estes génios também tiveram os seus fracassos antes de atingirem o sucesso, alguns nem foram muito bons alunos quando frequentaram a escola e também eles se questionaram sobre o que fizeram e porque o fizeram, antes de descobrirem algo de extraordinário (quantas vezes por tentativa, erro, reformulação, …). Começa também tu a questionar-te e a estabelecer pequenos objectivos (mais tarde, verás que será mais fácil estabelecer outros maiores). Faz por ganhar vontade de aprender, mesmo quando não entendes tudo. Neste caso, foca a tua atenção sobre aquilo que entendeste e tenta, então partir, a pouco e pouco e, por vezes, com alguma ajuda (de colegas, professores, de familiares, …) para algo que não tenhas entendido logo à primeira. Procura descrever o que aprendeste usando palavras tuas. Apropria-te do teu conhecimento. Coloca-te questões como: Se eu pudesse falar com o autor, o professor, etc., que questões lhe colocaria e porquê? De que forma é que posso tornar útil (para mim, para os outros) aquilo que aprendo? Reflecte sobre as estratégias, os caminhos, que seguiste para conseguir aprender/apreender algo. E, olha, vais ver que vale SEMPRE a pena “aprender, aprender sempre”.
É proibido não sonhar!!! (artigo para o "Jornal Bela reVista" - jornal da ESBV)
“Projecto Educativo? O que é isso?, perguntar-se-ão alguns, talvez muitos.
O Projecto Educativo de uma escola, da nossa Escola, é aquilo que a orienta, que a guia, que a faz mover todos os dias, todos os períodos e anos lectivos, numa direcção específica: o futuro que acreditamos ser o melhor para todos nós. É a resposta a problemas detectados e interesses manifestados por uma comunidade educativa única: alunos, professores, funcionários, pais – todos nós. O Projecto Educativo tem objectivos definidos (o sonho), que nos fazem pensar nas melhores formas de os atingir. Assim surgem as estratégias, metodologias, as actividades que são os caminhos que nos levam do sonho até à realidade.
Mas, então, e o nosso Projecto Educativo, qual é? O que é que faz mover a nossa Escola? É acreditar sobretudo nos alunos, nas suas capacidades e interesses. É estabelecer relações saudáveis entre todos os que (con)vivem nesta comunidade educativa, dos alunos, aos professores, aos funcionários, aos pais, ... É o carácter único desta Escola, que a torna tão especial: dá-se a mão para ouvir e ajudar, o empurrãozinho para avançar, o ombro para chorar, o sorriso para cativar, às vezes o raspanete... que se estava a precisar. É um sonho e uma acção colectivos, que nos vão levando, se quisermos, sempre mais longe. Está nas nossas mãos, apenas nas nossas mãos, construir o futuro que queremos. O Projecto Educativo existe para manter a memória viva e ajudar-nos a não largar o fio do sonho.
“-É para nota?”, “ - Não, é para aprender.”, disse um dia Sebastião da Gama a um seu aluno. Pois é, é também isto que queremos com a nossa Escola, que os alunos andem cá, sobretudo, porque vale a pena aprender, aprender mais, sempre mais, porque nela encontram uma outra casa, descobrem outros mundos, sonham com outras vidas e fazem crescer dentro de si as ferramentas que podem construir essas vidas.
Às vezes a escola da vida e a vida da escola não são fáceis. Há mesmo pessoas com vidas tão difíceis, que sofrem e fazem sofrer os outros. Mas, como disse um dia um aluno de uma escola “Se os perdêssemos, a escola deixava de ser a escola. Seria como um hospital que só trataria das pessoas de boa saúde e que mandava os doentes embora”. Temos todos que lutar muito, todos os dias, pequenas e grandes batalhas, mas vamos conseguindo aprender a ficar mais fortes, a sobreviver. Afinal, se tudo fosse sempre fácil, as coisas não teriam, muitas vezes, tanto interesse, valor, sabor, não é?
“Projecto Educativo? O que é isso?” O nosso é ajudar os jovens a aprenderem a sonhar, a terem prazer na vida e a serem felizes. Porque quem se empenha em ser feliz acrescenta um sorriso ao Mundo... e o Mundo bem precisa de sorrir...
E.C.A. - 2004
(Doc sobre Avaliação Interna da Escola Sec. Bela Vista - excerto)
Alunos
Definir um perfil dos alunos que frequentam a nossa Escola não é tarefa fácil, nem talvez, sequer, possível pela sua heterogeneidade e pela riqueza que nela está contida. Os nossos alunos são alunos iguais a tantos outros de tantas outras escolas, mas são também os Nossos Alunos, por isso mesmo diferentes, especiais. São alunos que, na sua maior parte, vivem os seus dias em busca de aprender, aprender mais, almejando um futuro melhor, em busca de aprender a viver bem consigo e com os outros, que são incentivados a cultivar os seus saberes e as suas culturas, que ambicionam desenvolver as competências já adquiridas e criar outras, que brincam, jogam, riem, fazem amigos para a vida, entre os colegas, professores e funcionários, que, não obstante as dificuldades que muitos já enfrentaram/enfrentam nas suas vidas são levados a acreditar que ainda e sempre vale a pena sonhar. E sonham!
Professores
Ensinar é Amar, disse o poeta. Nesta Escola, quase todos estão porque querem estar, porque têm sido movidos por um crer e querer sem limites, que tem feito mover montanhas, se pensarmos nas dificuldades que todos temos vindo a enfrentar nos últimos anos, sobretudo. Ensinamos numa escola provisória há quase 30 anos, trabalhamos em algumas instalações muito precárias, já lutámos contra ameaças de encerramento da Escola; temos levado anos a fio a procurar desfazer ideias-feitas sobre o bairro em que a escola se insere, que, afinal, não é melhor nem pior do que tantos outros bairros pelo nosso país fora e que é habitado por gente igual a tanta outra gente de outros bairros de tantas outras zonas da cidade, do país., procuramos desmontar preconceitos contra a Escola a cada momento (o essencial será mesmo, para muitos, invisível aos olhos?), em cada dia e ano e a acreditar nos nossos alunos, que são, afinal, a razão do nosso ser e estar aqui, em nós e na nossa capacidade de os ajudar a realizar os seus sonhos e a integrar-se na sociedade enquanto cidadãos responsáveis e de pleno direito.
“Vale a pena ser professor, hoje em dia?” - Miguel Ángel Guerra
Num Encontro de professores portugueses com o Professor Miguel Ángel Santos Guerra, da Universidade de Málaga, que tem dedicado grande parte da sua vida e trabalho ao estudo das questões da Educação e às “estórias” que sobre ela se contam e recontam todos os dias, valeu a pena, vale sempre a pena relembrarmo-nos, conforme diz o editor português de Miguel Ángel Guerra “que o professor é esse herói, um pouco cansado, um pouco desiludido, um pouco magoado, que [não obstante tudo isto] nunca desiste de ver brilhar o olhar nos alunos”, porque precisamos e/ou queremos continuar a acreditar que “a escola é antes de tudo uma casa de humanidade, muito longe da cadeia de montagem de uma fábrica de panelas ou de automóveis e da norma ISO 9002.”, Miguel Ángel Guerra ajuda-nos neste exercício de procurarmos dar resposta à questão inicial, porventura aquela que, a muitos de nós, se coloca todos os dias.
Vale a pena ser professor! (excertos por M. A. S. Guerra)
“ Porque é uma tarefa imprescindível: expomos problemas prementes de todo o tipo. Procuramos soluções para inúmeras situações. E esquecemos, muitas vezes, a educação como meio supremo. Fazem, pois, falta profissionais (os melhores do país) capazes de ajudar as pessoas a crescer, de as ensinar a conviver, de lhes indicar o caminho do bem e da verdade.
Porque é uma tarefa difícil (e arriscada): consiste em trabalhar com “materiais” muito complexos (concepções, conhecimentos, sentimentos, emoções, valores, ideias, crenças, expectativas, ...). É difícil, também, porque cada pessoa constitui um mundo diferente, e porque hoje surgem, na nossa sociedade, poderosos convites a que enveredemos por caminhos errados. Perante a dificuldade, há quem reaja com desânimo ou com dinamismo. A dificuldade pode ser encarada como um castigo ou como um desafio.
Porque é uma tarefa enriquecedora para quem dela beneficia e para quem a realiza.(...) Trabalhar com seres humanos contém, em si, uma enorme possibilidade de desenvolvimento pessoal e social.
Porque é uma tarefa colegial: esta profissão não pode ser encarada numa perspectiva individualista. Quando se vive isolado percebem-se menos coisas e passa-se menos bem. (...)
Porque é uma tarefa gratificante: insiste-se muito nos problemas da profissão, nos seus aspectos difíceis. Fala-se menos na sua dimensão gratificante, nos seus estímulos, muito superiores aos facultados por qualquer outra profissão. Que há de semelhante à tarefa de educar, a esse dissipar de trevas no campo do saber, da honestidade e da capacidade de conviver? Haverá algo que se possa comparar ao facto de ajudar as pessoas a serem mais inteligentes, mais bondosas, mais felizes?
Porque é uma tarefa histórica: os professores são elos silenciosos da cadeia que conduz a humanidade para o progresso e o aperfeiçoamento. (...)
Dizia, há meses, o filósofo Emílio Lledó: ‘Ensinar é uma forma de ganhar a vida, mas é sobretudo uma forma de ganhar a vida dos outros’.”
09:45 Escrito em (e)D(uc)AR | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail



