11-08-2006
Quis saber quem sou, o que faço aqui
“Quis saber quem sou
O que faço aqui”
José Niza
Acho que mais não terei querido, afinal. E assim surgiu este blog. Ele feito necessidade. Quantas e quão diversas razões pessoais na sua origem. Ele feito homenagem aos Amigos. Ele feito espaço de partilha de sentimentos, emoções, interesses, desalentos e esperanças, imagens reais e sonhadas, histórias contadas, recontadas e por contar. Ele feito tempo de busca e (re)encontro de um Eu, que, qual sombra de Peter Pan, parecia pulular pelo espaço e pelo tempo sem se deixar agarrar.
Tê-la-ei conseguido ir agarrando…?... Sinto que sim. Quanto à busca de um Eu melhor, essa não pára nunca, muito menos quando é só uma pequena porta que se fecha sobre apenas mais um blog. Como se diz…? Qualquer coisa como… quando uma porta se fecha, outra abre-se. E não há que lamentá-lo, mas sobretudo manter a esperança, os Olhos no futuro, atentos a essa(s) outra(s) porta(s) que se abre(m).
Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O’Neill
A todos os Amigos, Obrigada!
Até sempre! Até já!
09:20 Escrito em Life | Permalink | Comentários (6) | Enviar por e-mail
28-07-2006
Maria João Pires: Contra a petrificação da sociedade
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A pianista Maria João Pires anunciou ontem, em entrevista à RDP/Antena2, que vai instalar-se definitivamente no Brasil e desistir do Centro para o Estudo das Artes de Belgais, próximo de Castelo Branco, numa quinta que comprou há sete anos.
Em Portugal, afirmou, "estava a ser vítima de uma verdadeira tortura". "Parto para me salvar um pouco dos malefícios que Portugal me estava a fazer", explicou Maria João Pires, considerando que comprar casa no Brasil - país onde ia "respirar" - é um "momento de coragem". Sem adiantar pormenores do que motivou a decisão.
Há muito que a mais internacional - e premiada - dos pianistas portugueses se queixa dos problemas de financiamento de Belgais, e há muito que viaja com regularidade para o Brasil. Mas não se esperava que seguisse o exemplo de José Saramago, o escritor que preferiu o "exílio" na ilha de Lanzarote.
(...) Tendo já dado início ao processo de autorização de residência, a pianista pretende mudar-se para Salvador da Baía e fazer ali arrancar um novo projecto semelhante a Belgais - que está vocacionado para a apresentação de concertos de música clássica, workshops, residências e formação de crianças das escolas da região.
"Sofri fisicamente todos aqueles anos em que me dediquei ao projecto e tentei fazer tudo, e não consegui... no fundo, não consegui mais do que um começo", lamentou. Recorde-se que, em Março, Maria João Pires, de 62 anos, sofreu em enfarte do miocárdio quando se encontrava a descansar em Salamanca. Operada em Espanha, teve de adiar por dois meses a sua digressão europeia.
Fonte: “Diário de Notícias”, 28.07.2006
Maria João Pires não acusa ninguém por Belgais não ter tido a grandiosidade esperada, mas não esconde a mágoa por algumas pessoas e fala, implicitamente, do poder político. "Portugal é um país que está num impasse fatal", disse.
"Vim para o Brasil para me salvar dos malefícios que Portugal me estava a fazer", confessou a pianista.
Vida pela arte. Arte pela vida.
Nascida em 23 de Julho de 1944, em Lisboa, Maria João Pires deu o seu primeiro recital aos cinco anos. Estuda com Campos Coelho e Francine Benoit e mais tarde na Alemanha com Rosl Schmid e Karl Engel. Grava durante 15 anos para a editora Erato e 15 para a Deutsche Grammophon. Só em 1970 o seu talento foi reconhecido internacionalmente, quando venceu, em Bruxelas, o Concurso Internacional do Bicentenário de Beethoven.
Interpretando obras de Bach, Beethoven, Schumann, Schubert, Mozart, Brahms, Chopin viajou por todo o mundo, tornando-se uma presença regular em salas de concerto da Europa, Canadá, Japão, Israel e nos Estados Unidos.
Desde os anos 70 consagra-se a uma reflexão sobre a influência da arte na vida, na comunidade e na escola, tentando desenvolver novos meios de implementação desta pedagogia no mundo social. Pesquisa novas formas de transmissão que respeitem o desenvolvimento do indivíduo e das culturas, por oposição à lógica destruidora e materialista da mundialização.
Recebeu, em 1989, o Prémio Pessoa e em 1999 fundou o Centro para o Estudo das Artes, em Belgais. A pouco e pouco vai alargando a divulgação da filosofia e pedagogia de Belgais a Salamanca e Bahia.
Em 2005 cria um grupo experimental de teatro, dança e música “Impressões d’Arte”.
Fontes: SIC online e www.belgais.org
Educar pela arte. Uma «filosofia» da educação.
“a arte actua como uma arma pacífica, uma «defesa»contra o processo de petrificação da identidade.”
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Desde a origem, o Centro de Belgais caracteriza-se pela preocupação de contribuir para a reflexão contemporânea sobre a educação, e em particular sobre o papel que ela deve desempenhar numa sociedade alargada a todo o mundo, dominada pelo poder económico e pelos media. A fundação e o desenvolvimento de uma escola básica, situada na aldeia vizinha da Mata, constituíram deste modo uma etapa decisiva, uma vez que várias crianças beneficiam aqui de um ensino de grande qualidade, baseado na variedade dos conteúdos, na iniciação às artes e no desenvolvimento pessoal. A noção mais importante, neste ponto, é sem dúvida a de autonomia. Com efeito, Maria João Pires e os educadores que trabalham em Belgais estimam que o essencial não é a acumulação de competências (indissociavelmente ligada ao aparecimento súbito do individualismo e da competição), mas a aquisição progressiva de uma capacidade de pensar por si próprio. As práticas pedagógicas, face à complexidade do mundo social, são ainda com bastante frequência dominadas por uma lógica do ter, responsável pela concepção do conhecimento como «capital». As experiências levadas a cabo em Belgais esforçam-se por se basear, pelo contrário, numa lógica do ser, que possa proporcionar à criança o sentimento de constituir uma entidade por inteiro, para que não fique barricada e definida por um saber-fazer que depressa se torna num limite e numa prisão, mas que viva em relação permanente com o resto do mundo. A necessidade de respeitar a originalidade e a subjectividade de cada um, deste modo, não deve ser confundida com a sobrevalorização do indivíduo muitas vezes praticada nas sociedades ocidentais. A individualidade não é o individualismo, nem a «preocupação pelo eu» o egotismo: é precisamente a amálgama perigosa entre estas noções que explica e perpetua, nas relações humanas, uma cultura da violência e da agressão, onde sujeitos-fortalezas, à menor oportunidade, se erguem uns contra os outros. O período de aprendizagem deve corresponder para a criança ao despertar da capacidade de escuta, e deve proporcionar-lhe a possibilidade de se considerar como uma parte de um todo: única, mas rica de uma relação íntima, instintivamente solidária, com a comunidade dos humanos. O contributo do pensamento budista, neste ponto, é extremamente precioso, uma vez que convida a não sucumbir ao que se poderia chamar «armadilha da identidade», factor de intolerância e exclusão. Com efeito, desorientadas pelas exigências cada vez mais drásticas da vida contemporânea, muitas pessoas são tentadas a definir-se elas próprias, de forma intransigente, em torno de uma pertença: nacional, regional, política, social, etc… Porém, esta ultra-definição, tranquilizadora num primeiro momento, torna-se depressa num constrangimento alienante, artificial, exageradamente preciso, que fecha o indivíduo em vez de o libertar. A «armadilha» torna a fechar-se quando o homem de identidade sufoca o homem livre, condenando-o a revelar apenas uma caricatura de si próprio. A educação, tal como o centro de Belgais se esforça por concebê-la, deve constituir uma resistência a este processo: sem naturalmente resultar numa negação dela própria, a criança deve partir à descoberta da sua individualidade, preservando a disponibilidade para o outro, e recusando – tudo constitui o objecto de uma verdadeira autonomia – os discursos próprios para lhe impor uma carapaça rígida, tornando-se rapidamente, não tanto numa protecção, mas sobretudo num fardo. « Nihil humanum a me alienum puto » dizia o poeta Terêncio, indo ao encontro de uma das lições da filosofia budista: «Nada do que é humano me é estranho». http://www.belgais.org
13:45 Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail
20-07-2006
O Plátano
21:15 Escrito em Life | Permalink | Comentários (9) | Enviar por e-mail
18-06-2006
Smile!
Smile, though your heart is aching.
Smile, even though it's breaking.
Though there are clouds in the sky,
You'll get by...
If you smile through your fears and sorrows.
Smile and maybe tomorrow.
You'll see the sun come shining through.
If you just light up your face with gladness,
Hide every trace of sadness.
Although a tear may be ever, ever so near.
That's the time you must keep on trying.
Smile, what's the use of crying?
You'll find life is still worthwhile
If you'll just smile, come on and smile.
If you just smile.
De: Chaplin, Parsons, Phillips
Voz: Eric Clapton
E o sorriso redesperta assim, grande e redonnnnnnnnnnnnndo

E já não se tem tanto medo, nem nada dói tanto, pois não?
E as nuvens abrem-se para deixar passar o azul e o sol
E a flor já é jardim
E o simples toque abraço
E o little blue faz-se arco-íris
E uma nota aqui outra acolá faz sinfonia
"E assim vamos de braço dado com a vida,
desterrando uma morte solitária,
pois sabemos que ao virar da esquina
há pessoas assim, tão necessárias." (Hamlet Lima Quintana)
13:35 Escrito em Life | Permalink | Comentários (7) | Enviar por e-mail
11-06-2006
Ao nosso Primeiro, amigo Zé, pá! :o)
Já deu para ver que, no estado em que as coisas estão, há que sacar dinheiro ao pessoal de qualquer maneira. E como aumentar mais uma vez os impostos dava muito nas vistas, agora até na praia, o chamado mergulho de chapão com bandeira amarela ou mesmo uma simples entrada em água com bandeira vermelha, dá para colocar uma quantia valente (de 55 a 1000 euros) nos depauperados cofres do Estado.
Caramba, porque é que não disseste mais cedo, Socas? Ora aqui o teu muito patriota amigo não quer que penses em mais estratagemas deste tipo e envia-te uma singela lista de coisas que ainda não pagam multa, mas que, com a tua ajuda e com alguém que te prepare a legislação, é só meter no Diário da República e vais ver que o défice das contas estatais se esfuma num instante. E ainda ajuda a tornar o nosso Portugal num país mais bonito, como bónus.
Ora cá vai disto:
LISTA DE COISAS A TAXAR, com urgência:
- Uso de meia branca com sapatinho escuro: 100 a 500 euros.
- Uso de bigode à futebolista dos anos oitenta: 200 a 2000 euros.
- Coçar os genitais em público: 150 a 1500 euros.
- Tirar cera das orelhas com a unheca do dedo mindinho: 100 a 1000 euros.
- Utilização do colete reflector nas costas do banco do condutor: 120 a 1200 euros.
- Utilização de CD pendurado no espelho retrovisor: 150 a 1500 euros.
- Passear de fato de treino por centros comerciais ao fim de semana: 400 a 4000 euros.
- Raparigas com excesso de peso envergando roupa apertadíssima, ameaçando a restante população com uma rajada de botões: 150 a 1300 euros.
- Uso de óculos de sol em discotecas e restaurantes: 500 a 5000 euros.
- Utilização das expressões tipo "basicamente, prontos, portantos, stander de automóveis, casas germinadas...": 150 a 1500 euros.
- Uso de sandália com peúga: 300 a 3000 euros.
- Fazer pic-nic na faixa central da Circunvalação, por baixo dos pontões da A1, ou nas escapatórias para camiões, no IP5: 1500 a 5000 euros.
- Bandeiras a engalanar os popós.
Pronto, cá está, usa e abusa. Quem é amigo, quem é?
07:40 Escrito em Life | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail
04-06-2006
da gente feita GENTE
Desenho: Mafalda
This is the end, beautiful friend
This is the end, my only friend
The end of our elaborate plans
The end of everything that stands
The end
(“The End”, The Doors)
É este o fim. O fim da nossa escola como a conhecemos:
- fim ditado pelo Ministério da Educação que decretou a fusão, já a partir do próximo ano lectivo, entre a Escola Secundária da Bela Vista e a Escola Básica 2,3 de Ana de Castro Osório, alheio a quase tudo o resto que não seja apenas número;
- fim de sonhos, feitos projecto comum, idealizado, partilhado e tornado (quase) realidade;
- fim de lutas por objectivos de todos por e para todos;
- fim de uma escola com um ambiente de ensino-aprendizagem e de camaradagem único;
- fim de um espírito e de uma união singulares, que alunos, professores e funcionários, que foram passando pela Escola, cultivaram desde 1975, data da inauguração da ESBV, e ao longo destes 31 anos da sua existência;
- fim de viagem que, desta vez, só teve ida, ida até um fim de linha que nos foi imposto, sem apelo nem agravo, não obstante os nossos sonhos e projectos defendidos, o trabalho realizado, as nossas lutas de anos, o nosso ambiente único, genuíno, a gente de que a Escola tem sido feita e que não é número, mas GENTE;
- fim de filme, cujo final, desta vez, foi triste, porque impiedoso, indiferente à GENTE, porque apenas concentrado em gente-número, espaços-número e equipamentos-número sem vida e não na ESCOLA, que é feita de GENTE que dá VIDA aos espaços e equipamentos, que fazem da escola A NOSSA ESCOLA.
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Mas, por outro lado, não obstante o sofrimento, a dor, o cansaço, a insegurança sobre o futuro, não seríamos mais o pessoal único da Escola Secundária da Bela Vista (alunos, professores e funcionários) que sempre temos sido, se não fossemos capazes de renascer das cinzas em que nos quiseram transformar, se não fossemos capazes de sarar as feridas, de levantar o queixo, olhar decididamente em frente e deitar de novo mãos à obra, a um novo projecto de educação e vida sem nunca, nunca mesmo, deixar de acreditar e manter a força que sempre nos acompanhou no nosso projecto de Escola, um projecto de esperança, ainda e sempre na ESCOLA, na gente que sempre cremos e quisemos GENTE. Talvez tenhamos que o fazer noutro local, com outros alunos, com outros colegas professores, com a colaboração de outros funcionários, mas como sonhar é e será sempre permitido, sem restrições, levaremos o nosso sonho connosco, para onde tivermos que ir, porque a Educação, Pilar da Sociedade, é a nossa crença maior.
The whole worlds broke and it aint worth fixing
Its time to start all over, make a new beginning
Theres too much pain, too much suffering
Lets resolve to start all over make a new beginning
Now dont get me wrong - I love life and living
But when you wake up and look around at everything thats going down -
All wrong
You see we need to change it now, this world with too few happy endings
We can resolve to start all over make a new beginning
Start all over
The world is broken into fragments and pieces
That once were joined together in a unified whole
But now too many stand alone - theres too much separation
We can resolve to come together in the new beginning
Start all over
We can break the cycle - we can break the chain
We can start all over - in the new beginning
We can learn, we can teach
We can share the myths the dream the prayer
The notion that we can do better
Change our lives and paths
Create a new world and
Start all over
The whole worlds broke and it aint worth fixing
Its time to start all over, make a new beginning
Theres too much fighting, too little understanding
Its time to stop and start all over
Make a new beginning
Start all over
We need to make new symbols
Make new signs
Make a new language
With these well define the world
And start all over
Start all over
(“A new beginning”, Tracy Chapman)
20:25 Escrito em Educar | Permalink | Comentários (4) | Enviar por e-mail
27-05-2006
The Very Hungry Caterpillar / A Lagartinha Comilona

The story I am about to tell is written both in Portuguese and English, because,
first, it was originally written in English, secondly, it is dedicated to Portuguese kids, but also to a little girl who can only speak English, and finally, it is also dedicated to every child in the world, more or less grown-up, and this way the bilingual version may be more helpful.
..................................
A história que a seguir vou contar está escrita em Português e Inglês, porque,
por um lado, na sua versão original, foi escrita em língua inglesa, depois, esta história é dedicada aos meninos portugueses, mas também a uma menina que só fala Inglês e, depois ainda, afinal, a todos os meninos e meninas do mundo mais ou menos pequeninos e, assim, a versão bilingue sempre pode ser uma mais-valia.
A Lagartinha Comilona
À luz da lua, um pequeno ovo estava depositado sobre uma folha.
Num domingo de manhã, o sol quentinho despertou e POP! Lá saiu do ovo uma pequenina e esfomeada lagartinha.
Aí a lagartinha começou imediatamente à procura de comida.
Na 2.ª feira, fez um buraquinho numa maçã e devorou-a, mas ainda sentia fome.
Na 3.ª feira, fez buraquinhos em duas peras e devorou-as, mas ainda sentia fome.
Na 4.ª feira, fez buraquinhos em três ameixas e devorou-as, mas ainda sentia fome.
Na 5.ª feira, fez buraquinhos em quatro morangos e devorou-os, mas ainda sentia fome.
Na 6.ª feira, fez buraquinhos em quatro laranjas e devorou-as, mas ainda sentia fome.
No sábado, fez buraquinhos numa fatia de bolo de chocolate, num cone de gelado, num pickle, numa fatia de queijo suíço, numa fatia de salami, num chupa-chupa, numa fatia de tarte de cerejas, numa salsicha, num queque e numa fatia de melancia e devorou tudo. Nessa noite sentiu uma dor de estômago!
O dia seguinte era domingo novamente. A lagartinha fez um buraquinho numa linda folha verde e depois disso sentiu-se muito melhor. Agora já não tinha fome – e também já não era uma lagartinha. Era uma lagarta grande e gorda. Construiu uma casinha, chamada casulo, e meteu-se lá dentro durante mais de duas semanas.
Depois, mordiscou o casulo até fazer um buraco, saiu e…
Eis uma linda borboleta!
(Traduzido do original de Eric Carle (1969), The Very Hungry Caterpillar, e dedicado à Alice, à Matilde, ao Gui, ao Rui, à Laura, à Carlota, ao Francisco e ao António, à Carolina, ao Miguel, à Xana, à pequenina do Raj, à filhota da Glau e a todos os outros meninos e meninas que ainda são pequeninos e àqueles que, sendo maiorzinhos, como eu e tu, saberão sempre manter-se meninos e meninas.)
…………………………………….
The Very Hungry Caterpillar
In the light of the moon a little egg lay on a leaf.
One Sunday morning the warm sun came up and – pop! – out of the egg came a tiny and very hungry caterpillar.
He started to look for some food.
On Monday he ate through one apple. But he was still hungry.
On Tuesday he ate through two pears, but he was still hungry.
On Wednesday he ate through three plums, but he was still hungry.
On Thursday he ate through four strawberries, but he was still hungry.
On Friday he ate through five oranges, but he was still hungry.
On Saturday he ate through one piece of chocolate cake, one ice-cream cone, one pickle, one sliceof Swiss cheese, one slice of salami, one lollipop, one piece of cherry pie, one sausag, one cupcake, and one slice of watermelon, That night he had a stomachache!
The next day was Sunday again. The caterpillar ate through one nce green leaf, and after that he felt much better. Now he wasn’t hungry any more – and he wasn’t a little caterpillar any more. He was a big, fat caterpillar. He built a small house, caed a cocoon, around himself. He stayed inside for more than two weeks. Then he nibbled a hole in the cocoon, pushed his way out and...
He was a beautiful butterfly!
(from the original The Very Hungry Caterpillar, written by Eric Carle (1969), dedicated to Alice, Matilde, Gui, Rui, Laura, Carlota, Francisco and António, Carolina, Miguel, Xana, Raj’s youngest daughter, Glau's little girl, and to all other boys and girls in the world, who are still little, and to all those people who are already grown-ups, just like you and me, but who will always be little children inside.)
09:35 Escrito em Educar | Permalink | Comentários (6) | Enviar por e-mail | Tags: life
19-05-2006
Quem sou eu? O que seremos nós?
Gin Soaked Boy
I'm the leftness in the right
I'm the rightness in the wrong
I'm the shortness in the long
I'm the goodness in the bad
I'm the saneness in the mad
I'm the sadness in the joy
I'm the gin in the gin-soaked boy
I'm the ghost in the machine
I'm the genius in the gene
I'm the beauty in the beast
I'm the sunset in the east
I'm the ruby in the dust
I'm the trust in the mistrust
I'm the Trojan horse in Troy
I'm the gin in the gin-soaked boy
I'm the tiger's empty cage
I'm the mystery's final page
I'm the stranger's lonely glance
I'm the hero's only chance
I'm the undiscovered land
I'm the single grain of sand
I'm the Christmas morning toy
I'm the gin in the gin-soaked boy
I'm the world you'll never see
I'm the slave you'll never free
I'm the truth you'll never know
I'm the place you'll never go
I'm the sound you'll never hear
I'm the course you'll never steer
I'm the will you'll not destroy
I'm the gin in the gin-soaked boy
I'm the half-truth in the lie
I'm the why not in the why
I'm the last roll of the die
I'm the old school in the tie
I'm the spirit in the sky
I'm the catcher in the rye
I'm the twinkle in her eye
I'm the Jeff Goldblum in "The Fly"
Who am I?
03:55 Escrito em People | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail | Tags: life
18-05-2006
Um céu de nós

Foto: O céu de Ait-Benhaddou
No rodopio da nossa própria vida perdemo-nos, vezes sem fim, como hipnotizados pelo pequeno mundo em que vivemos. É a gente que passa por nós e nós que passamos por ela sem dela nos darmos conta. São as coisas que acontecem e nós dizemos que assim são porque são, como se nada do que acontece pudesse estar, de facto, nas nossas mãos. Mas de quando em vez há aquelas, as pessoas, que passam pela nossa vida de formas diferentes das mais comuns e, talvez por isso, nos marcam mais profundamente. A maior parte delas acaba por entrar e sair das nossas vidas sem deixar grandes marcas, outras acabam por marcar, mas apenas pela negatividade que trouxeram consigo se, atempadamente, não nos apercebermos de como elas podem magoar. Só algumas, muito poucas, acabam por permanecer. São aquelas que se foram cimentando como um projecto, cujas raízes vão ficando, tão naturalmente, bem enterradas em nós, sem esforço, sem dor, sem mágoa, apenas com aquilo de que devem ser feitas as relações verdadeiras e sólidas: o respeito pelo tempo e espaço do outro, pela diferença, o carinho e apoio incondicionais, sem ser necessário pedir ou dar justificações, mas apenas estar ali, aqui, quando, se, onde necessário.
Às vezes há acontecimentos, bons e menos bons, que provocam uma revolução no nosso corpo e mente, que ajudam a provocar aquele click que se tornava necessário, mas nós nem nos apercebíamos desta necessidade, e nos transformam em pessoas mais conscientes de si e do mundo de uma forma bem diversa da que sempre havia sido habitual durante quase todas as nossas vidas. Não é mau. É “apenas” mudança e a mudança, mesmo que doa, pode ser positiva, se assim a tomarmos, e acabarmos por ganhar maior consciência de experiências e conhecimentos/saberes que foram sendo adquiridos ao longo da vida. Assim se cresce...
08:20 Escrito em Life | Permalink | Comentários (4) | Enviar por e-mail | Tags: life
15-05-2006
Fat old sun
Fat old sun – David Gilmour
When that fat old sun in the sky is falling,
Summer evening birds are calling.
Summer's thunder time of year,
The sound of music in my ears.
Distant bells,
New mown grass smells so sweet.
By the river holding hands,
Roll me up and lay me down.
And if you sit,
Don't make a sound.
Pick your feet up off the ground.
And if you hear as the warm night falls
The silver sound from a time so strange,
Sing to me, sing to me.
When that fat old sun in the sky is falling,
Summer evening birds are calling.
Children's laughter in my ears,
The last sunlight disappears.
And if you sit,
Don't make a sound.
Pick your feet up off the ground.
And if you hear as the warm night falls
The silver sound from a time so strange,
Sing to me, sing to me.
When that fat old sun in the sky is falling,
Summer evening birds are calling.
Children's laughter in my ears,
The last sunlight disappears.
Há prendas que, simplesmente, nos deixam sem saber bem o que dizer de tão ricas de significados, belas de sentidos, um todo uno, que nos traz aquela paz tão necessária que nos envolve e devolve a nós próprios e ao mundo. Obrigada A.
09:50 Escrito em Life | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail | Tags: life
12-05-2006
Conjugações...
Engraçado como há dias em que as coisas, ou as pessoas, ou os astros, ou seja lá o que for deste e/ou de outro(s) universo(s) se conjugam e nos trazem assim, de uma assentada, tão simples e naturalmente, exactamente aquilo de que parecíamos necessitar, deixando-nos embasbacados, mas de sorriso nos lábios, perante tal consonância no tempo certo.
- E um escreve… “Nada é mais forte do que a nossa vontade de vencer.”
- E outro telefona só para dizer o que acabou de ler num pacotinho de açúcar, coisa doce, doce :o)… “Com cada beijo um ano mais de vida.”
- E outra manda “kiwis”, daqueles especiais, que só ela sabe fazer.
- E outra manda mãos-cheias de ternuras encaracoladinhas.
- E outro faz-nos fechar os olhos e levar naquela maravilhosa massagem de shiatsu.
- E outros, outras, tantos, tantas…
- E o cansaço já era!
- E o stress onde está?
- E a neura é só sorriso!
- E, e, e, e... até já é fdsemana!!! :o)

Andy Warhol
The kiss
of spring
causes a blush
of blossoms
upon the face
of the earth.
©2006 Joseph* ~ OneLight*®
15:55 Escrito em People | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail | Tags: life
08-05-2006
BANG!!!
Juro! Juro! Juro! Eu bem tento(se não der para fazer, pelo menos tentar, ou mentalizar-me que devo)...
- be positive
- watch a sunset
- sing a song
- listen to music
- dance a jig
- have a cup of tea
- take a break
- Keep a journal
- get up early
- play a drum
- plant a flower
- throw a ball
- eat a snack
- light a candle
- walk in the rain
- take a bubble bath
- ask for what you need
- give a compliment
- give a blessing
- tell a joke
- take a nap
- write a letter
- smile
- stretch
- practise patience
- do Tai-Chi
- give a hug
- see a movie
- set limits to a few things
- set no limits to other things
- practise kindness
- lie in the sun
- talk to a friend
- take a deep breath
- walk a labyrinth
- go barefoot
- say a prayer (to all gods if necessary)
- go to the beach
- pet a dog (or cat or ant, whatever...)
- blow bubbles
- take a walk
- ask for help
- do it NOW!
- hum a tune
- meditate
- prioritize
- play with a child
- say NO
- read a book
- laugh out loud
- run in the park
- avoid negative people
- go to bed on time
- watch a sunrise/sunset
(google lessons4living - adapted)
Mas parece que há dias que já são semanas e semanas que já são meses e meses que já são anos de tanto stress acumulado em que, simplesmente, já nada parece resultar, pelo menos a longo prazo. Às vezes uns momentos, com sorte dias, de relaxamento e alívio das coisinhas mais pesadas da vida, ainda criam a ilusão de que, ao recomeçar, já tudo vai estar bem de novo. Mas, depois, volta-se à rotina, para afinal se compreender que... a energia esgotou-se mesmo, e agora já não dura mais as 8, 10, 12, 14 (ou as que fossem) horas, e a força já nem c'a boa da Alfalfa, que ao menos com o velho cavalo cansado parecia resultar, e fuuuu... giu!!! e a memória também PUF!!!, onde será que se meteu, que até disso me esqueci e etc e tal. E a gente já só se resigna a esta nova visão vegetativa da vidinha? Ah! Ainda não é para hoje, não? Fica adiada a sentença? OK! Medida drástica! A ver se ao menos assim a coisa vai indo, porque tem que ser, com mais ou menos galos na tola! :o)

10:15 Escrito em Life | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail | Tags: life
04-05-2006
"Good night and good luck!"
"We will not walk in fear, one of another. We will not be driven by fear into an age of unreason, if we dig deep in our history and our doctrine; and remember that we are not descended from fearful men. Not from men who feared to write, to speak, to associate, and to defend causes that were for the moment unpopular.
This is no time for men who oppose Senator McCarthy's methods to keep silent, or for those who approve. We can deny our heritage and our history, but we cannot escape responsibility for the result. There is no way for a citizen of a republic to abdicate his responsibilities. As a nation we have come into our full inheritance at a tender age. We proclaim ourselves, as indeed we are, the defenders of freedom, wherever it continues to exist in the world, but we cannot defend freedom abroad by deserting it at home. The actions of the junior Senator from Wisconsin have caused alarm and dismay amongst our allies abroad, and given considerable comfort to our enemies. And whose fault is that? Not really his. He didn't create this situation of fear; he merely exploited it — and rather successfully. Cassius was right. ‘The fault, dear Brutus, is not in our stars, but in ourselves.’ Good night, and good luck.“
Edward Murrow
(transcript from part of the script from the film “Good night and good luck!” (2005) by George Clooney; see also http://wip.warnerbros.com/goodnightgoodluck/index1.html)
10:05 Escrito em HuMANity | Permalink | Comentários (4) | Enviar por e-mail | Tags: life
01-05-2006
May Day

Photo: Flowers of Greenland
And on that first day of May the onset of Spring was celebrated.
The May Queen was transported over the fields bringing fertility to them.
The people danced for days on end washing away all their sorrows, tears and pain.
And the whole world was reborn.
P.S. - To my friend Ahmed Rasim. May his world be reborn to freedom, happiness and laughter only.
To all those who keep believing in the power of Spring.
09:00 Escrito em Life | Permalink | Comentários (6) | Enviar por e-mail | Tags: life
26-04-2006
Chernobyl ou o Fogo de Prometeu
Imagem: Prometeu roubando o fogo aos deuses para oferecê-lo aos homens. Escultura antigamente localizada no centro da cidade, transferida, após o acidente, para a área da central nuclear (foto de autor desconhecido).
Os homens, criados por Prometeu, foram aumentando cada vez mais, quer em número, quer em arrogância e rudeza. Então, Zeus, decidido a dar-lhes uma lição, fez valer a sua supremacia divina e impediu-os de usar o fogo do Olimpo. Mas Prometeu, lamentando a sorte das suas criações, roubou o fogo e ofereceu-o aos homens tornando-os os mais perfeitos entre todos os seres mortais, faltando-lhes, “apenas”, o principal: saber gerir a cidade. Reconhecendo que esta era uma questão determinante para a vida em comum, Zeus acaba por dar aos homens as virtudes do respeito mútuo e da justiça, que, no entanto, até hoje, parecem não ter sido capazes de assumir.
Até quando persistirão os homens na sua arrogância, rudeza e ignorância? Até quando continuarão os homens a ser os mais perfeitos imperfeitos seres mortais?
19:05 Escrito em HuMANity | Permalink | Comentários (4) | Enviar por e-mail | Tags: life
25-04-2006
Dia inicial
25 DE ABRIL
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen *
do silêncio da noite
acordo para aquela madrugada ansiada
no novo dia claro e aberto
um grito
e renasço de mim mesma
08:50 Escrito em Portugal | Permalink | Comentários (6) | Enviar por e-mail | Tags: PORTUGAL
21-04-2006
Deserto e alma

“No Sahara cada homem tem o seu tempo, a paz e a atmosfera necessárias para se encontrar consigo mesmo, olhar para longe ou para dentro de si próprio, estudar a Natureza que o rodeia e meditar…
Um provérbio Tuaregue diz: ‘Deus criou o mar e a água para que o homem pudesse viver e criou o deserto para que o homem pudesse descobrir a sua alma.’ “
In Manual do Viajante, Agape.
09:45 Escrito em Life | Permalink | Comentários (5) | Enviar por e-mail | Tags: life
20-04-2006
O Momento... de Crescer!
Devagar, como tenho andado a aprender, sobretudo nestes últimos meses, fui voltando. Ou estarei ainda a voltar… Curiosamente, tudo se parece conjugar em torno da palavra “devagar”. Aqui e ali, sem saber bem como, no dia-a-dia vou-me cruzando com ela, dita e escrita por pessoas que nem se conhecem, algumas mal me conhecem. Leio-a e ouço-a como se fosse a primeira vez. Depois, a pouco e pouco, vou aprendendo a fazê-la minha e ela vai-se tornando uma constante. Viver devagar. E cada momento torna-se O Momento. E a intensidade é maior. E O Momento já é único. E a Vida é O Momento. Breve e esquivo ou imenso, eterno, infinito.
No meio de nada, tudo. Num deserto só meu recriei um outro mundo, talvez o original, sem artifícios. Ele era feito das cores da terra, do vento sobre a areia rolando numa pequena tempestade à nossa volta, das folhas das escassas árvores e dos arbustos movendo-se ao sabor do vento, disfarçados na noite que nascia, dos sons que chegavam dos dromedários descansando em grupo da caminhada da tarde, dos aromas e sabores exóticos da tajine de legumes e frango berbere, dos sons dos tambores e flautas, no final da refeição, do céu azul-escuro adivinhado pela lua cheia que nos brindava sem pudor, do passeio até às dunas que serviram de leito, a quem quis ser parte delas nessa noite. E adormeci com o céu como tecto e a areia do deserto como cama. E os vários acordares nocturnos deram sempre lugar a um sorriso feliz, pelo prazer imenso proporcionado pelo espaço e pelo tempo nunca antes vividos, jamais repetidos, porque eles eram aquele lugar e aquele tempo, irrepetíveis. Acordar sentindo partes do corpo que nem recordava possuir :o). Mas que é isso comparado com aquela claridade imensa do deserto numa manhã feita de alguma neblina, no meio daquele silêncio tão profundo que nos fazia ouvir os nossos próprios pensamentos, emoções, corações… Nessa noite e amanhecer senti-me crescer como nunca.
00:55 Escrito em Life | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail | Tags: life
07-04-2006
Partir depressa, viver devagar
“ Parte depressa. Vive devagar e parte depressa. Sacode essa pele a que chamamos nostalgia nas ruas desta cidade da alegria. Sacode a poeira do caminho nos banhos do hamman, entre o vapor que escorre das paredes de mármore, à pálida luz do candelabro que torna tudo sensual e fluído, senta-te à roda dos pátios nos restaurantes encantados da Medina (…), come a pastilla, o folhado de pombo com canela, a tagine de poulet, o cuscuz de borrego, com um vinho de areia suave e perfumado, ouve o som de uma cítara berbére, que parece uma coisa familiar e íntima e todavia tão diferente de tudo o que já ouvimos.
E (…) quando passares a mão sobre os azulejos, só para te certificares de que tanta beleza não é irreal (…), lembra-te então (…) de todos (…) os que ignoram a consistência da água, da areia, das pedras, os que vivem depressa e morrem lentamente.
Se eu mandasse, mandava pôr uma placa em cada uma das entradas da cidade e nelas escrevia: ‘Marráquexe: vive devagar e parte depressa.’ ”
In Sul, Miguel Sousa Tavares.

E se o Miguel bem o diz, melhor o faço. Sacudo nostalgia e poeira dos caminhos de cá. Faço-me, num vaipe, às terras do sul mais a sul. De mansinho, mas decididamente, deixo-me envolver por novos cheiros e sabores e cores e sons e formas e texturas … num “despertar de sentidos” redescobertos. E, ao menos por uns dias, vou viver a vida devagar. E talvez quando eu voltar já tenha aprendido um pouco mais sobre esse outro caminhar por ela, esse sentir outro dela, esse outro saber perder-me nas suas coisas belas e então contagie o mundo com esse carpe diem gostoso, sem igual, que o torna mais feliz, nos torna mais felizes. Inchalá!
PS: Até... daqui a uns... diazinhos só. Volto já, já! :o)
01:55 Escrito em Life | Permalink | Comentários (8) | Enviar por e-mail | Tags: life
06-04-2006
Do alto das Azenhas, o Mocho falava animado com uma linda Caracolinha
Levei tempo a chegar a eles… (caracolinha serei eu, Caracolinha :o) ) Mas, nestes últimos dias, descobri assim umas pérolas, reforço, PÉROLAS do bloguniverso, que não vou mais perder de vista. Enterneci-me e sorri, reflecti com tanto prazer, ri a bandeiras despregadas, com o seu humor inteligentemente inesgotável, acutilante, oportuno, vibrei com a música, maravilhei-me com o prazer de os ter descoberto, com a sua criatividade, sensibilidade, alegria, espontaneidade, … Parece-me bem que já não quero mais passar sem vocês, amigos! Obrigada!!! Apresento-vos (pela ordem exacta pela qual os fui descobrindo):
O Azenhas – http://azenhasdomar.blogspot.com
O Mocho Falante – http://mochofalante.blogspot.com
A Caracolinha – http://snailetale.blogspot.com
01:05 Escrito em Blog | Permalink | Comentários (4) | Enviar por e-mail | Tags: life
04-04-2006
Time
Ticking away the moments that make up a dull day
You fritter and waste the hours in an offhand way
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way
Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain
And you are young and life is long and there is time to kill today
And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun
And you run and you run to catch up with the sun, but it's sinking
Racing around to come up behind you again
The sun is the same in a relative way, but you're older
Shorter of breath and one day closer to death
Every year is getting shorter, never seem to find the time
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in a quiet desperation is the English way
The time is gone, the song is over, thought I'd something more to say
Home, home again
I like to be here when I can
And when I come home cold and tired
It’s good to warm my bones beside the fire
Far away across the field
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells.
Letra: Roger Waters

04:38 Escrito em Life | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail | Tags: life
02-04-2006
Crash!
Com direito a mais ou menos nomeações, mais ou menos Óscares, mais ou menos parangonas, mas, indubitavelmente, vários MAIS a argumento, a teia de acontecimentos e histórias, a mensagem, a imagem, a banda sonora, … Dizer que gostei será pouco. Melhor será dizer que saí do cinema com a alma cheia.
Tomo a teia da 3za por empréstimo. Dela se faz a vida humana, enquanto teia gigantesca feita de biliões de outras teias que, a dado momento, se cruzam, outras vezes se tocam, apenas, outras ainda se entrelaçam e recriam: ‘Moving at the speed of life, we are bound to collide with each other.’ A maior parte das vezes passaremos uns pelos outros sem darmos por aquele que está mesmo ali, ou ignorando-o propositadamente, melhor dizendo. Mas a verdade é que, a dada altura, poderemos ser incapazes de evitá-lo e acabar colidindo com ele, porque, afinal, a Humanidade é um espaço de partilha. Então, entramos e saímos das vidas uns dos outros. Não é um processo fácil, como não haverá ‘easy answers’ na vida. Nela pouca coisa será linear, ou sê-lo-á, mas nós, simplesmente, complicamo-la de todas as maneiras possíveis, percebemo-la, interpretamo-la, reinterpretamo-la de mil formas diferentes, valorizando ou adulterando, desvirtuando os seus significados. Assim seremos capazes de ver e viver a vida a mil cores ou de uma cor só, demasiadas vezes pardacenta. ‘Everyday we are faced with reactions. How we interpret a situation colours our perceptions of life’. ‘Maybe tomorrow’ sejamos capazes de reencontrar o nosso caminho...
I've been down and
I'm wondering why
These little black clouds
Keep walking around
With me
With me
It wastes time
And I'd rather be high
Think I'll walk me outside
And buy a rainbow smile
But be free
They're all free
So maybe tomorrow
I'll find my way home
So maybe tomorrow
I'll find my way home
I look around at a beautiful life
Been the upperside of down
Been the inside of out
But we breathe
We breathe
I wanna breeze and an open mind
I wanna swim in the ocean
Wanna take my time for me
All me
So maybe tomorrow
I'll find my way home
So maybe tomorrow
I'll find my way home
So maybe tomorrow
I'll find my way home
So maybe tomorrow
I'll find my way home
So maybe tomorrow
I'll find my way home
So maybe tomorrow
I'll find my way home
12:20 Escrito em HuMANity | Permalink | Comentários (7) | Enviar por e-mail | Tags: life
31-03-2006
O caminho

Mourisca, Setúbal
Dos puntas tiene el camino e en las dos alguien me aguarda.
(verso de uma canção chilena)
Outro dito aponta para o seguinte: "O caminho fazemo-lo nós". Quero crer que sim, claro, mas que ajuda muito alguém estar lá ao fundo do dito, não importa qual o lado por que optemos, lá isso, eu, pelo menos, não tenho dúvidas. Além de que, mantermo-nos no caminho certo, aquele a que Eco um dia chamou "a recta via", não é fácil. Ora, fácil, num mundo como este... Eu quero amigos que me ajudem a manter na via certa, mesmo fazendo umas maluquices pelo caminho, mas serão sempre loucuras sãs e necessárias. Eu não abdico de ter alguém pelo caminho sempre, ou alguém que possa ver ao fundo, enquanto o percorro. Independência? Sempre! Mas, a par dela, alguém que nos diga com aquela franqueza amiga, que vamos bem, ou que estamos errados, mesmo que sejam duros, de vez em quando. Precisamos de reforço positivo, mas também destes puxões de orelhas, quando asneiramos ou estamos em vias de. Às vezes apetece ser como as crianças quando mal começaram a andar. Titubeantes mas decididas lá vão dando os seus primeiros passinhos. E ajuda-as ou não terem alguém que as espera do outro lado de braços abertos? Até a caminhadazinha corre melhor, naturalmente. Dos puntas tiene el camino e felizes seremos nós se tivermos sempre alguém que nos aguarda...
08:15 Escrito em Life | Permalink | Comentários (5) | Enviar por e-mail | Tags: life
27-03-2006
No deserto...

http://www.saharamet.com/desert/photos/Sahara.html
“No deserto nada se prevê, espera-se.”
Levantou-se uma pontinha do véu que cobre o caminho. Mais um caminho de vida. Aquela ânsia de chegar foi substituída por uma entrada muito de mansinho em terras, também elas parte do nosso imaginário, que um dia serviram de inspiração a Saint-Exupéry ou foram cenário de quantas histórias das Arábias. “Não ter pressa de chegar!”, “Não ter pressa de chegar!”, repete-se, incessantemente, talvez pelo hábito diário de só se querer chegar, o tempo todo, o mais depressa possível e a todo o custo. Agarrar o momento, gozá-lo e aprender com as coisas e as pessoas que fazem desse O Momento. “O caminho é que nos ensina sempre a melhor forma de chegar e enriquece-nos quando chegamos.”, diz-se, sabiamente, no deserto.
09:50 Escrito em Life | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail | Tags: life
24-03-2006
La nostalgie

"Qu'est-ce que la nostalgie?
C'est un chat noir qui miaule."
François Migeot
Photo: Lisa
14:29 Escrito em Life | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail | Tags: life
23-03-2006
Numa certa ilha
Era um daqueles domingos calminhos, como não sentia os domingos há muito tempo. Ao sair de casa, os olhos ofuscados por aquele céu forte, imenso, logo logo, já eram os sentidos todos alerta, até os que sabemos ter, mas não descrever, desconcertados de maravilhados por aquela claridade toda e aquele ar primaveril, doce e quente, que soprava trazendo os cheiros e lembranças de momentos tão bons…
Os amigos esperavam, com aqueles braços a abrirem-se de par em par, como portadas coloridas de janelas de que se debruçam vasinhos de flores de mil cores. O ambiente era o do aconchego do espaço feito vozes amigas, música eterna, sabores e aromas tão especiais, como só os Amigos sabem imprimir ao que preparam e partilham. Que bom, Isabel e Armindo e Beli!
PS - Aqui vai um bocadinho daquela música que me encantou e me fez reviver Pink Floyd, desta vez pelo passeio dado “On an island”, de David Gilmour. http://emirecords.co.uk/players/dg/
09:35 Escrito em Friends | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail | Tags: life
21-03-2006
"Não posso adiar o amor para outro século"
Porque é Primavera / Por causa do Amor / Por causa do Amor e porque é Primavera / Porque o Amor não tem tempo / Porque quando ele existe é sempre Primavera / Por causa de ti
"Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração."
António Ramos Rosa
18:50 Escrito em Tanto (A)Mar | Permalink | Comentários (4) | Enviar por e-mail | Tags: life
18-03-2006
As Mãos ou "Más de mil palabras"

Era a mão que segurava na mão e a apertava,
quase a medo, primeiro, depois com força, mas sempre docemente,
como se as emoções e os sentimentos de um e de outro
se misturassem e ganhassem uma nova expressão.
Era a mão cujo calor arrepiava e cujo suor aquecia a alma.
Eram as mãos que se tocavam, sentiam, entrelaçavam
e tornavam qualquer palavra obsoleta.
Era o pulsar do coração que se sentia nas pontas dos dedos.
Era o corpo, todo, ali, feito mãos só.
As mãos ou“Más de mil palabras”
“Num mundo que se diz humano não há palavras que doem, não há actos impensados nem actos pensados grotescos que estropiam e chacinam, não há fome, nem sede, nem miséria, nem medo, nem fingimento. No mundo humano não há, porque não pode haver, porque é um mundo humano, dor!
No mundo humano há, todos os dias, mãos que se estendem e agarram, com força, a do outro para nunca mais a deixar, sempre que o outro precisar e quiser. No mundo humano há partilha e bons dias que se trocam todos os dias com um sorriso e com convicção. No mundo humano há lágrimas que dão lugar a riso aberto, há golpes que são transformados em abraços fortes e, quando há dor, ela pouco dura, porque o amor é mais forte, sempre.”
Pus-me a pensar como, sem querer, se vão estabelecendo laços, teias (como a minha muito querida 3za - www.tempodeteia.blogspot.com - tão bem defende). Eis senão quando, recebo um mail da própria TT – 3za. Ele há coincidências… E o seu mail remetia “apenas” para mais uma daquelas coisas lindas desta vida, como ela tão bem sabe criar. Tratava o dito mail de dar a novidade e a enorme alegria aos amigos da reedição especial dos seus Provérbios (agora) Repenteados, uma “reedição seleccionada e acrescentada com poemas novos e também antigos, ilustrada pelo pintor/ilustrador Emílio Remelhe, design de Gémeo Luís e apresentação de José António Gomes - J. Pedro Mésseder e apoio do IELT-Instituto de Estudos de Literatura Tradicional da Univ. Nova”. Eu tenho os primeiros, os Provérbios Despenteados, que adorei. Agora, quero e já pedi os ditos, desta feita Repenteados. Quem quiser, claro, pode sempre ver e talvez adquirir o livrinho na livraria, mas pode sempre, também, enviar-se mensagem à 3za, via seu blog (aproveita-se e visita-se, pois), e pode ser que ela vos arranje um livrinho mais especial ainda, com direito a dedicatória amiga mesma, como ela tão bem sabe ser.
Hoje apetece-me dizer “Parabéns!” à TT, pela sua nova obra, ao Hector, pelo seu post, ao meu surfista preferido pela Primavera toda que lhe entrou pela casa e pela vida, à sua BELA adormecida princesa, que, qual “margarida” na Primavera, desperta, quem sabe, para uma nova vida, e tantos mais, por “simplesmente” existirem. ADORO-VOS, AMIGOS! Sei que, como os diamantes, porque vocês são-no também, são eternos.
08:30 Escrito em Life | Permalink | Comentários (10) | Enviar por e-mail | Tags: life
14-03-2006
All my love (Is this the end or a new beginning?)
Should I fall out of love, my fire in the light
To chase a feather in the wind
Within the glow that weaves a cloak of delight
There moves a thread that has no end.
For many hours and days that pass ever soon
The tides have caused the flame to dim
At last the arm is straight, the hand to the loom
Is this to end or just begin?
* chorus: all of my love, all of my love, all of my love to you. (repeat)
The cup is raised, the toast is made yet again
One voice is clear above the din
Proud aryan one word, my will to sustain
For me, the cloth once more to spin
Chorus
Yours is the cloth, mine is the hand that sews time
His is the force that lies within
Ours is the fire, all the warmth we can find
He is a feather in the wind
Chorus
(Jones/Plant - Led Zeppelin)
22:57 Escrito em Tanto (A)Mar | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail | Tags: life
13-03-2006
Qualidade de vida

Do Castelo de S. Filipe
Há uma coisa que se chama qualidade de vida, que nós, demasiadas vezes, não conseguimos agarrar. Ela prende-se com coisas tão simples e essenciais como gozar o momento: caminhar pelo campo e deixarmo-nos inebriar pelos seus cheiros e cores característicos; ouvir a água a correr daquele rio cuja nascente passa mesmo ali, aos nossos pés; parar um pouco para nos deixarmos acariciar pela Primavera que parece ter invadido tudo e que não conhece calendários, pelo azul resplandescente do céu, pelo calor bom que nos aquece o corpo e o coração; deixarmo-nos ficar, sem relógio, a uma mesa com amigos, falando descontraída e calmamente sobre tudo um pouco, enquanto se saboreia pequenas-grandes delícias preparadas com alma e se ouve músicas novas e de sempre; deixarmo-nos embalar por sons do mundo, enquanto viajamos por ele fora, sem sairmos daquele cantinho de amigos; enternecermo-nos com o riso franco da criança, brincar com e como ela e reconhecer que não se quer deixar nunca de o ser também; decidir que a partir de amanhã tudo vai ser diferente. E nós mais felizes!
00:20 Escrito em Life | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail | Tags: life




